Casamento gay continua na agenda December 1, 2006
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Por Isabel Teixeira da Mota
O antropólogo Miguel Vale de Almeida sustentou ontem que a vitória em Espanha da militância gay e lésbica facilitou a abertura em relação ao tema em Portugal.
Vale de Almeida falava em mais um debate na livraria Almedina, em Lisboa, intitulado “A tempestade e o copo de água”.
O investigador defendeu a tese antropológica de que “a defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma consequência lógica da dinâmica das práticas de parentesco nas sociedades ocidentais”.
Partindo da ideia de que as teorias feministas na antropologia foram essenciais para mudar o paradigma do pensamento teórico sobre o parentesco, designadamente sobre a visão do casamento, Vale de Almeida defendeu que, tendo-se desvinculado de outras ataduras, o casamento só precisa agora de se desvincular da heterossexualidade.
Só assim se tornará uma verdadeira decorrência das questões de género. Ou seja, só assim passará a constituir uma escolha total. Para isto foi também importante o movimento feminista, que ajudou a esfumar as fronteiras entre o biológico e o social, entre a natureza e os afectos. O também militante da causa gay e lésbica considerou que o assunto “mantém-se na agenda como em nenhum outro país da Europa”, mas confessou não ser previsível a forma como irá concluir-se o processo político-legislativo.
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