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«Igreja propõe doutrinas mas não as pode impor» January 15, 2005

Posted by igualdadenocasamento in Portugal.
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O Vaticano já condenou publicamente os casamentos ‘gay’

«A Igreja [Católica] propõe a sua doutrina, faz campanhas, bate-se pelas suas ideias, mas não pode impô-las à sociedade. Além disso, não somos nós que decidimos, não é a Igreja que decide. Quem decide é o poder laico.»

Foi desta forma, subtil mas suficientemente esclarecedora, que um elemento da Conferência Episcopal Portuguesa reagiu, quando o DN o confrontou com o cenário de Portugal poder – um dia – vir a legalizar o casamento civil entre homossexuais. À semelhança do que sucedeu com a Holanda em 2001 e com a Bélgica em 2003 e do que deverá agora suceder em Espanha.

Um cenário que a Igreja Católica não hesita em condenar, como se constata no documento que foi emitido pela Santa Sé, em Junho de 2003, e que está assinado pelo cardeal Ratzinger – Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais.

Uma tese que os socialistas espanhóis preferiram ignorar, avançando, como tinham prometido durante a campanha eleitoral, com uma proposta em sentido contrário, repetindo o que, antes deles, outro Estado predominante católico – como é a Bélgica – também fizera.

Subtilezas. O que, em termos práticos, poderá indiciar que a Igreja Católica estará sempre na primeira linha do combate a qualquer tentativa de legalização do casamento civil entre homossexuais em Portugal, evitando, contudo, qualquer ruptura com o poder laico. Isto é, com o Estado ou com as suas instituições.

Senão como interpretar as declarações feitas pelo cardeal-patriarca, D. José Policarpo, numa recente entrevista à revista Visão?

Interrogado sobre a proposta do Governo espanhol, D. José Policarpo respondeu «A vantagem dos poderes democráticos é que estes mudam». Uma advertência que não esconde aquela que parece uma das principais virtudes da Igreja – a paciência.

«Temos», sublinhou o cardeal- -patriarca, «de estar preparados para estas coisas. Dá a ideia de que há correntes na sociedade que querem levar as medidas fracturantes até ao fim. (…) Mas estaremos preparados para o que vier e seremos coerentes com aquilo em que acreditamos.»

Duas opiniões de prelados portugueses muito próximas daquela que foi a reacção do bispo de Girona, Carles Soler, quando o El País o confrontou com a decisão tomada pelo Governo de José Luis Zapatero – «recolher assinaturas e manifestar-se não são opções próprias da hierarquia eclesiástica».

Mas poderão sê-lo, como é óbvio, dos diferentes grupos de activistas católicos que nos últimos anos têm vindo a organizar-se sob a alçada da hierarquia católica, como deixou depreender a fonte consultada pelo DN. «Se em Portugal há uma estrutura organizada na Igreja, são os sectores ligados à família. Quanto mais não seja por causa das campanhas contra a legalização da interrupção voluntária da gravidez.»

Uma frase que tem tanto de constatação, como de advertência face ao eventual radicalismo por parte de alguns sectores do catolicismo.

«A Igreja não mudará uma vírgula do seu pensamento», garante o mesmo prelado, apontando um caminho mais discreto e que parece ser bastante mais consensual o da regulamentação e do reforço dos mecanismos de protecção das uniões de facto. «Se for essa a opção, não apoiaremos, mas também não nos meteremos nisso.»

Publicado no Diário de Notícias.

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