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Divórcio «gay» February 26, 2005

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Daniele La Monaca/Reuters

Numa época em que muito se fala na legalização dos casamentos «gay», a notícia não é uma boda, mas sim um divórcio. Os estilistas italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana anunciaram a separação após 19 anos de vida em comum. Donos da mundialmente famosa marca Dolce & Gabbana, avaliada em 600 milhões de euros, os costureiros formavam um dos casais homossexuais considerados mais estáveis até agora. Domenico e Stefano declararam que a decisão é irreversível e que já têm novos companheiros, embora afiancem que «nunca se deva dizer nunca». Os estilistas afirmam que a separação foi amigável. Como prova, Dolce e Gabbana continuam a trabalhar juntos e a compartilhar a empresa e a casa em Milão, embora agora um viva no quinto andar e o outro no sexto.

Publicado na Única.

Violência entre homossexuais próxima da registada entre casais heterossexuais February 26, 2005

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Por Ana Cristina Pereira

Um sistema de justiça “extremamente preconceituoso” leva as vítimas a não recorrer às autoridades

A frequência dos comportamentos abusivos entre casais homossexuais é relativamente próxima da que ocorre entre heterossexuais. Pelo menos assim o indica um estudo recente da Universidade do Minho (UM), que alerta para a necessidade de alargar os serviços a estas vítimas.
O trabalho, realizado no ano passado, tentou compreender uma realidade “ignorada ou negada”, explica a investigadora Carla Machado. Ignorada por causa do predomínio das relações heterossexuais dentro das ciências sociais, mas também “pelo medo que a comunidade homossexual de diversos países tem” de ver alimentar “um estereótipo negativo e estigmas associados à homossexualidade”.
No artigo “Dupla invisibilidade: a violência nas relações homossexuais”, Carla Machado lança ainda outras pistas para esta ocultação: a ideia de que apenas os homens protagonizam agressões, a crença de que as “relações entre indivíduos do mesmo sexo tendem a ser igualitárias e imunes à violência íntima” e “o funcionamento de um sistema de justiça extremamente preconceituoso”, que leva as vítimas a não recorrer às autoridades.
Apesar de ter por base uma diminuta amostra de 63 indivíduos assumidos como homossexuais, o estudo traz resultados muito semelhantes aos encontrados noutros países. Atendendo à relação amorosa actual, um quinto (20,6 por cento) dos inquiridos identificaram-se como vítimas e 15,9 por cento como agressores.
“O nível de violência é próximo” do dos casais heterossexuais. Numa investigação sobre violência conjugal entre homem e mulher conduzida no Norte do país (tendo por base 2391 famílias), 22,2 por cento dos sujeitos assumiram-se como vítimas e 26,22 como agressores.
As diferenças “têm, sobretudo, a ver com o elevado nível de escolaridade” da amostra homossexual, diz a investigadora, sublinhando que “a violência de género existe e é dominante” na sociedade, mas “a violência doméstica é um fenómeno muito mais complexo do que isso”.
Também entre os homossexuais o insulto e a humilhação constituem as formas mais recorrentes de agressão. Há, ainda assim, uma especificidade: o revelar ou ameaçar revelar a orientação sexual do parceiro – uma estratégia assumida por 1,6 por cento dos inquiridos.
Atendendo à discriminação social a que estes indivíduos estão sujeitos, tal atitude pode resultar, por exemplo, na “perda de emprego ou no abandono de familiares e amigos”.

Relações anteriores
mais problemáticas?
O índice de violência sobe imenso quando as questões incidem sobre relações anteriores: 61,9 por cento e 46 por cento dos inquiridos referiram, respectivamente, terem sido vítimas ou agressores em relações passadas, o que Carla Machado não estranha.
A literatura descreve o conjunto de razões que levam a vítima a ter dificuldade em virar costas à situação – “proximidade emocional, falta de apoio social, dificuldades económicas, medo de rejeição pela comunidade homossexual, isolamento social”.
Outra hipótese tem que ver com as próprias limitações do estudo. O contexto do preenchimento do inquérito não foi controlado. É “impossível saber” até que ponto as respostas não estão viciadas pelo facto de os agressores actuais “pressionarem as vítimas para ocultar alguns dos comportamentos abusivos”.

“Cegueira social”
Um “dado a reter” é que alguns dos comportamentos referenciados no passado ocorreram em relacionamentos heterossexuais. Mas há que ter em conta que “as atitudes negativas veiculadas pela sociedade em relação à homossexualidade, aliadas à legitimação social da violência nas relações íntimas”, tornam esta realidade muito mais difícil de denunciar. Resultado? “Os agressores não são punidos pelos seus comportamentos e podem mesmo reforçá-los”, escreveu Carla Machado.
Reconhecendo debilidades e limitações (ver caixas), o estudo alerta “para a importância de se reflectir sobre a forma de alargar os serviços disponíveis para as vítimas, de modo a incluir” os homossexuais. A investigadora diz mesmo que “o maior desafio face à violência nas relações homossexuais é a cegueira social”.
Na opinião de Carla Machado, “é fundamental as próprias instituições ultrapassarem as suas ideias homofóbicas, assim como a crença de que as relações lésbicas e “gays” são imunes à violência, para fornecer serviços apropriados e desenvolver políticas sociais efectivas”, remata. Os investigadores estão agora a fazer entrevistas aprofundadas para perceber melhor esta realidade.

Ideias Fortes

“Tal como nos casais heterossexuais, os sujeitos homossexuais recorrem, frequentemente, à violência como uma forma de lidar com os problemas e de expressar os seus sentimentos”, especifica o estudo da Universidade do Minho, a que o PÚBLICO teve acesso. “Esta situação ainda é mais grave se considerarmos que os homossexuais vítimas de violência nas relações íntimas se deparam com dificuldades acrescidas: a discriminação e a homofobia, que se combinam para criar uma aprovação implícita dessa violência.”

Curiosidades

Não foram encontradas diferenças significativas relativamente ao facto de a orientação sexual do sujeito ser ou não conhecida. “Estes dados parecem sugerir que mesmo aqueles cuja família tem conhecimento da sua homossexualidade podem não se sentir à vontade para revelar as situações de vitimação e ou agressão a que estão expostos, quer pelo mesmo tipo de condicionantes a que as vítimas em geral estão sujeitas, quer pelo eventual receio de que esta informação agrave as visões negativas e hostis relativas à homossexualidade.”

Debilidades

Por causa das “dificuldade de acesso à população homossexual, a amostra utilizada é pequena e não representativa”. De resto, “considerando que praticamente todos os participantes estão envolvidos em alguma organização homossexual”, pode-se inferir “que estes representam uma minoria particularmente activa, consciente e confortável com a sua homossexualidade, que não corresponde à população homossexual “escondida””. O grosso da amostra é composta por “sujeitos de perfil urbano, escolarizado”. É de supor que uma amostra mais plural revelaria mais violência .

Limitações

Não foi controlado o contexto de preenchimento do inquérito. É provável “que algumas vítimas ocultassem comportamentos violentos devido à pressão dos (as) parceiros (as) violentos (as), ou com medo de represálias. Da mesma maneira, alguns agressores podem ter omitido condutas violentas em relações passadas.

Publicado no Público.

Episódio ‘gay’ de ‘Os Simpsons’ agarra americanos à TV February 22, 2005

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Por Manuel Ricardo Ferreira, correspondente em Nova Iorque

POLÉMICA


Animação acende o tema e o confronto de diferentes ideias

Foi um segredo bem guardado até ao último segundo. Quando às 20.00 horas de domingo começou a ser transmitido o episódio de Os Simpsons intitulado Há qualquer coisa com o casamento, sabia-se que o tema eram os casamentos gay. Mas nada se sabia sobre quem iria revelar a sua homossexualidade. Nem se um casal gay chegaria ao ponto de dar um beijo em público. Uma mão cheia de razões para que o episódio fosse seguido atentamente de costa a costa nos EUA.

Tudo começa quando Quimby, o autarca de Springfield, decide legalizar os casamentos homossexuais na cidade para atrair visitantes. De imediato, Homer Simpson tira um curso de sacerdote pela Net e abre uma capela, propondo casamentos gay a 200 dólares.

Quem se revela homossexual? Patty Bouvier, a irmã de Marge Simpson, que está sempre de cigarro na boca e tem como parceira Veronica, uma profissional de golfe. No último momento, quando Homer está prestes a legalizar a união, Marge impede-o, denunciando Veronica como sendo um travesti.

Em 15 anos consecutivos, Os Simpsons tornaram-se no espelho da pequena cidade americana, sintetizando os debates que mais empolgam os americanos. O lançamento da discussão sobre os casamentos homossexuais não foi excepção e o tiroteio de ambos os lados da barricada não tardou.

Stephen Macias, director da Aliança Gay & Lésbica Contra a Difamação, considera Os Simpsons “um raio de luz no que respeita à Fox News e à Fox Entertainment”, canal onde a série é transmitida mas conhecida, sobretudo, pelas suas posições conservadoras. No entanto, Al Jean, o produtor executivo da série, frisa que o episódio não aprova os casamentos gay.

Claro que as organizações que são contra eles vêem o caso de maneira totalmente oposta. Para Roberta Knight, das Mulheres Preocupadas da América, a TV está a ficar obcecada com a homossexualidade. E Brent Bozell, do Conselho dos Pais para a Televisão, diz que “numa altura em que o público se pronuncia maioritariamente contra os casamentos gay, qualquer programa que os promova está deliberadamente a contrariar a opinião pública”.

Já para Marty Kaplan, deão da Escola de Comunicação de Annenberg (da Universidade do sul da Califórnia), o episódio “está a dizer aos que demonizam a homossexualidade que se acalmem ou vão embora desta cidade. Estas pessoas são vossos vizinhos na Springfield que é a América”.

Publicado no Diário de Notícias.

Casamento gay em episódio de “Os Simpsons” February 22, 2005

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Polémica nos EUA

O último episódio de “Os Simpsons” exibido nos Estados Unidos está a causar grande polémica. E tudo porque a irmã de Marge Simpson, Patty Bouvier, revelou que era lésbica, enquanto Homer celebrou uma série de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O programa inflamou vários grupos conservadores, pois tocou na ferida dos americanos a legalização do casamento gay.

Nesta história de desenhos animados, o prefeito Quimby legaliza as uniões gay com o objectivo de tirar Springfield da crise. Homer conseguiu uma licença para ser pastor e poder cobrar 200 dólares por cada casamento. O único morador da cidade a não concordar com a ideia é o reverendo Lovejoy, enquanto que a sempre “politicamente correcta” Marge é uma das que mais apoiam a novidade, até que fica a saber que a irmã é lésbica.

O episódio de “Os Simpsons” incluiu beijos gay e foi exibido depois de um aviso de advertência aos pais. Refira-se que a série é transmitida na estação Fox, aos domingos, no horário nobre; onde consegue, frequentemente, boas audiências.

Publicado no Jornal de Notícias.

‘The Economist’ chega ao milhão de revistas vendidas February 17, 2005

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A prestigiada revista The Economist, com sede em Londres, atinge hoje a marca de um milhão de exemplares vendidos, um facto inédito desde que a publicação foi criada, há 162 anos.

(…)

Em 1996, a revista publicou um editorial onde apelava à legalização global do casamento entre homossexuais. Um apelo que viria a repetir nos anos seguintes.

(…)

Para Christopher Collins, o sucesso da revista deve-se “à procura crescente de pontos de vista independentes e imparciais” sobre os grandes temas da actualidade.

Publicado no Diário de Notícias.

A invenção do namoro e outras ficções felizes February 14, 2005

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Por Fernanda Câncio

Há formas de namoro que ainda são discriminadas

Importação anglo-saxónica, a celebração que hoje se realiza um pouco por todo o mundo não conquistou ainda todos os portugueses, nem faz disparar as vendas para presentes como noutras paragens já se verifica. Mas todos os pretextos são bons para namorar. Ou para falar disso, como neste texto, através das histórias de amor que aqui se contam.

“Acho que se pode ter três amantes, um marido, quatro flirts e mesmo assim não ter namoro com ninguém.” É assim, raro e “muito difícil, quase impossível, de bater com a cabeça nas paredes”, que Raquel Freire, 31 anos, realizadora de cinema, vê “esse exercício que nos faz melhores”, essa “forma de respeito” pelo outro e pelo próprio no qual a sua personagem Sara Só, protagonista de A Vida Queima, a fita que está a terminar, deixou de ser capaz de se aplicar. Porque “perdeu a ideia absolutamente mitificada do amor e da relação amorosa, o mito do amor que salva”.

A pergunta era – e que perdoe, lá na sua sepultura, o americano Raymond Carver, mais esta contrafacção ao título de um dos seus contos – de que falamos quando falamos de namorar. Também pode ser de que falamos quando falamos de namorados, e, de súbito, este texto “de comportamento” pode transformar-se numa peça política da maior acuidade, convocando por exemplo o primeiro anúncio televisivo anti-homofobia, que na semana passada inaugurou nos ecrãs uma nova forma de luta contra a discriminação, ao encenar num jardim público e à luz do dia um casal de rapazes que se passeiam de mão dada, para escândalo de duas idosas, que quase sufocam no comentário “Que pouca-vergonha! De manga curta com este frio!”

Uma ironia suave que Sérgio Vitorino, da associação Panteras Rosa, faz pesar quando recorda que ainda no Verão passado dois jovens de 15 anos a beijar-se no Parque Eduardo VII, a meio de uma bela tarde de sol, foram abordados por dois agentes da Polícia Muunicipal, que lhes disseram ser aquilo que faziam “proibido” e os mandaram, como era costume há trinta anos, “circular”. E, como há trinta anos, quando um dos jovens resolveu recitar a Constituição, os agentes acharam por bem agredi-lo. “Isto”, comenta Vitorino sem que a voz lhe traia a fúria, “quando havia mais não sei quantos casais de namorados à volta, a fazer o que fazem os namorados. Com uma pequena diferença eram heterossexuais”.

Nada de espantar então que quem se apaixona por alguém do mesmo sexo se engulhe na expressão pública dos gestos de carinho de quem inicia uma relação. “Muitas vezes restringem-nos às quatro paredes da casa. Aconteceu comigo, quando era mais novo o meu primeiro namorado queria dar-me a mão na rua, por exemplo, e eu ficava apavorado.”

Nem por acaso, a jornalista Ana Sá Lopes, que nas páginas do Público desenhou, em crónicas reunidas num livro lançado há poucas semanas, a personagem da muito namoradeira e tresloucada Vanessa, que soma flirts e “casos” sem desistir de um princípe encantado, vê no dar das mãos a essência disso a que se chama namoro. “É a coisa mais significativa. Andar de mão dada na rua é o anúncio do namoro, é quando queres que os outros saibam.” Uma garotice, um segredo revelado e uma passagem de corrente que define o estado da relação. “Por exemplo, quando se vê um casal de uma certa idade de mão dada é muito comovente. É porque ainda namoram.”

Como quem diz, ainda se amam. Ainda “se apetecem”, como dizem no dicionário os sinónimos, que a namorar equivalem “arrulhar, atrair, cativar, catrapiscar, cobiçar, cortejar, flertar, galantear, paquerar, graxear, prosear, requebrar, seduzir, afeiçoar-se”. Mas também, acrescentam os linguistas, “tourear e azeitar” provocar. O namoro como relação e sua antecâmara, desfecho e prévio cerco.

Um momento de que Ana Sá Lopes sublinha a graça transitória. “É o lado da maior liberdade, do deslumbre, do maior encantamento.” Uma terra, diz, a meio de duas fronteiras “Entre essa ausência de compromisso, o epifenómeno afectivo que é ‘o caso’ e o casamento, que já mete as contas, as promessas de compra e venda, a parte mais adulta.”

Entre o caso (ou, numa linguagem mais adolescente, a “curte”, a “transa”) em que o sexo é princípio, meio e fim, e o casamento, em que faz parte do contrato, o namoro tem uma ressonância quase pudica. De antecipação e descoberta, de intensidade e celebração. Há quem, como Fábio Vieira, o veja como uma longa preparação para a união final dos corpos.

Com a sua namorada, da mesma idade, este açoriano a estudar em Lisboa decidiu optar pela abstinência. “É uma atitude no mínimo radical, eu sei”, diz o próprio, num sorriso. “As pessoas da minha idade, quando falamos sobre isso, têm uma atitude no mínimo de espanto. Mas não me influenciam.” Nem os amigos nem o “bombardeamento” erótico da sociedade ocidental. “Não tenho uma atitude moralizadora em relação aos outros. Mas hoje em dia os jovens partem logo para o sexo. Nem dão tempo a que o desejo cresça.”

Para Fábio, que quis ser padre e estudou numseminário até “sentir um despertar não compatível” com essa entrega, o que se ama é, antes de mais, “a pessoa por dentro”. Lara Crespo, de 33 anos, não podia estar mais de acordo. Mulher por dentro e por fora (no que interessa à observação do dia-a-dia), Lara nasceu com os sinais exteriores de masculinidade que ainda hoje – e até ser operada – lhe decretam um lugar de limbo nas relações humanas. “Não tenho namorado agora. É muito complicado um homem assumir uma relação comigo. Não pela reacção de quem nos vê, mas porque, na cabeça deles, é muito difícil integrar esses dois factos eu sou uma mulher mas tenho um pénis.”

Transexual ou, como prefere ser chamada, “transgénero”, Lara, que crê que “um homem não se define pelo pénis e uma mulher não se define pela vagina”, nunca viveu o namoro que sonha. “Na relação mais longa que tive – um ano e dois meses – ele não me dava um beijo em público, nem sequer a mão… só dentro de casa.” Mesmo assim, esta “romântica incurável” ainda não desesperou de encontrar “aquele que se vai interessar por mim como pessoa, que me ame e me assuma pelo que sou.” E com quem possa passar o Dia dos Damorados ideal “Ir até ao mar, passear um bocado na areia, jantar a dois num restaurante simpático e uma noite a fazer amor.”

Toda a gente, parece, tem os mesmos sonhos. Joaquim Marques Rocha, 44 anos, não é excepção, mesmo se nunca soube o que é olhar nos olhos, como os namorados olham, a sua namorada. Mas não foi por isso que, cego desde os 15, “da noite para o dia”, devido a uma atrofia do nervo óptico, deixou de procurar o amor. Casou, descasou, namorou, e até, mesmo sem ver, se apaixonou “à primeira vista”. Ele explica “Já me aconteceu sentir uma atracção inexplicável ao conhecer uma pessoa. É a voz, a maneira de falar…” Não foi o caso da actual namorada, uma colega de trabalho cujo retrato , da altura ao peso e à cor dos olhos, recita na exactidão “do ouvir dizer”, como se inventasse a heroína de um romance – o seu.

Maria Emília Correia, actriz e encenadora que construiu a peça Serviços d’Amores, em cena no Teatro D. Maria, com base em textos de Gil Vicente, assente. “Vivemos sempre de acordo com ficções deus, o país, a felicidade, a paixão, etc. É que muitas vezes o que se ama não é o outro mas o amor em si e a ideia de se estar apaixonado. Aquilo a que se chama felicidade está sujeito a uma permanente revalidação, e é efémera, como o amor. O poeta Vicente sabia disto tudo . E nós também, mas distraímo-nos. Que remédio.”

Remédio e única receita tentar, e falhar, e voltar a tentar. Para, como diz Raquel Freire, “Inventar uma forma nobre de alegria com alguém”. É isso, namorar.

Publicado no Diário de Notícias.

Associação cívica pede processo-crime contra padre de S. João de Brito February 11, 2005

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Por apelar contra o voto em partidos defensores do aborto e direitos dos homossexuais

A Associação Cívica República e Laicidade pediu hoje à Procuradoria-Geral da República que instaure um processo-crime ao padre Lereno Sebastião Dias, que numa homilia na paróquia de S. João de Brito, em Lisboa, apelou contra o voto em partidos defensores do aborto, eutanásia e direitos dos homossexuais.

Na missa de domingo de dia 6 de Fevereiro, transmitida em directo pela Antena 1, o padre Lereno defendeu que a vida humana vai da concepção à morte e referiu que a ética cristã reprova que sejam equiparadas a famílias, as uniões “de um homem com outro homem” ou “de uma mulher com outra mulher”. “Aborto nunca, eutanásia nunca. Poligamia nunca, divórcio nunca”, disse o sacerdote durante a missa.

As declarações do padre provocaram reacções de repúdio por parte do Bloco de Esquerda, PCP e do candidato do PS José Sócrates, que as considerou “infelizes”.

Por seu turno, o gabinete do Patriarcado de Lisboa, que se escusou a comentar as declarações do padre Lereno, reafirmou a posição da igreja em relação às eleições, remetendo para um documento no qual apelam ao voto com conhecimento dos programas dos candidatos e de acordo com os princípios da doutrina social da Igreja.

Na sequência das reacções sobre o caso, a Associação Cívica República e Laicidade enviou hoje uma carta à Procuradoria-Geral da República na qual considera as declarações do pároco “uma grave prática ilícita” e “um crime público”, fundamentando-se nas disposições da Lei Eleitoral da Assembleia da República.

O padre Lereno “infringiu claramente aquela norma legal, incorrendo, portanto, na prática de crime público, que, além do mais, foi ainda publicamente cometido e largamente publicitado”, escreve Luís Manuel Mateus, presidente da associação, na missiva a que a Lusa teve acesso.

A mesma entidade sustenta que o prelado violou o artigo 153º da Lei Eleitoral, que prevê seis meses de prisão ou multa de 50 a 500 euros para “o ministro de qualquer culto, que abusando das suas funções ou no exercício das mesmas, se servir delas para constranger ou induzir os eleitores a votar em determinada ou determinadas listas, ou abster-se de votar nelas”.

Luís Manuel Mateus insta a Procuradoria-Geral da República a averiguar a situação e fazer o apuramento do eventual ou eventuais responsáveis, de forma a que os autores “possam ser devidamente punidos nos termos da Lei”.

Publicado no Público.

Igreja aperta cerco à anulação de uniões February 9, 2005

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Por Manuela Paixão, correspondente em Roma

» Alegar impotência sexual para anular casamento impedirá matrimónio futuro


AP-Plinio Lepri – Vaticano quer contrabalançar ideias liberais de casamento

Os bispos diocesanos podem interditar casamentos futuros se as razões que invalidaram o matrimónio se mantiverem numa futura união. É o caso da impotência sexual. A medida consta do documento canónico Instrução – Dignitas Connubii (Dignidade do Matrimónio), ontem apresentado no Vaticano. O objectivo é criar novas normas, mais apertadas, para a anulação do casamento religioso, evitando que os fiéis o transformem numa espécie de divórcio com consentimento da Igreja.

Em estudo desde 1996, o documento de 219 páginas – em latim e com tradução em italiano – integra 308 artigos com as novas normas para os tribunais eclesiásticos sobre os processos de anulação de casamentos. Segundo o Anuário Estatístico da Igreja de 2002, em 56 236 processos, 46 092 foram anulados, 4649 não apresentaram provas suficientes e 2601 foram retirados.

“Na sociedade actual, até os processos canónicos para a anulação de casamentos correm o risco de poderem ser interpretados como vias alternativas para um divórcio aprovado pela Igreja”, declarou o cardeal Julian Herraez, durante a apresentação no Vaticano do Dignitas Connubii. Jurisconsultor da Opus Dei, designado por João Paulo II presidente do Pontifício Conselho para a interpretação dos textos canónicos, o cardeal diz que este documento “exige maior rigor ao mundo” – mais tolerante com a legislação a favor do divórcio, do reconhecimento de uniões de facto e de matrimónios gay.

A maioria hoje crê que os tribunais civis poderiam resolver estes casos de um modo mais satisfatório, “mas a Igreja continua a ter um papel fundamental perante a confusão sobre a identidade do casamento e da família em algumas legislações civis – que não só facilitam o divórcio como põem em dúvida a heterossexualidade como aspecto essencial da união”, declarou ainda monsenhor Domenico Sorrentino, secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

“As normas apresentadas devem ser escrupulosamente observadas nos tribunais eclesiásticos”, já que submeter a validade ou anulação de um matrimónio como se fosse um verdadeiro processo civil tem provocado muitas críticas à Igreja, acrescentou.

Os 800 tribunais diocesanos e interdiocesanos abarrotam com pedidos. A Instrução foi criada para servir de guia para os tribunais eclesiásticos, encarregados pelo Tribunal da Sacra Rota para facilitar o processo de anulação.

Publicado no Diário de Notícias.

Cartoon de Bandeira February 8, 2005

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Em defesa dos ‘bons costumes’ February 7, 2005

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Por Kátia Catulo

Católicos estão contra o casamento de homossexuais

O apelo feito ontem pelo pároco da Igreja de São João de Brito, para que os portugueses não votem nos partidos defensores do aborto, a eutanásia e os direitos dos homossexuais, tem por base um comunicado da Conferência Episcopal. Na homilia, o padre Loreno defendeu que um cristão deve seguir uma ética que não seja contraditória consigo próprio “A vida cristã promove a vida humana desde a concepção até à morte natural. Aborto nunca, eutanásia nunca!”

Na missa, transmitida pela emissora de rádio pública, o clérigo criticou também todos os partidos que defendem o casamento entre homossexuais. Mais uma vez, justificou-se com a doutrina da Igreja Católica para defender a posição “A ética cristã reprova que seja equiparada à família uma união de um homem com outro homem, de uma mulher com outra mulher. A mesma ética reclama que a aliança matrimonial seja indissolúvel. Poligamia nunca, divórcio nunca”, concluiu o padre Loreno.

A Igreja recusou, no entanto, comentar o conteúdo da homilia do padre Loreno, não esclarecendo se esta é também a sua posição.O Patriarcado de Lisboa remeteu a resposta para o seu site na Internet.

Isto é, e de acordo com o comunicado da Conferência Episcopal, divulgado em Dezembro de 2004,”o pluralismo político dos católicos não pode ser confundido com relativismo moral”.

A Conferência Episcopal salienta que, “perante exigências éticas fundamentais e irrenunciáveis (…), os crentes têm, efectivamente, de saber que está em jogo a essência da ordem moral, que diz respeito ao bem integral da pessoa”. Por outro lado, defende a Igreja, a “abstenção é reprovada e considerada uma grave omissão dos deveres de uma consciência católica”. De acordo com o documento, o primeiro dever dos cristãos é a “participação responsável”.

Embora reconheça que “a ninguém é permitido invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja”, o Patriarcado de Lisboa não poderá argumentar que o pároco de São João de Brito agiu isoladamente. O padre Loreno mais não fez do que repetir a linha doutrinal da Igreja.

Publicado no Diário de Notícias.