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Orgulho de ser gay June 25, 2005

Posted by igualdadenocasamento in Portugal.
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Lisboa: marcha parte do Marquês e percorre a Avenida da Liberdade

Por Isabel Ramos e Cristina Serra

correio_25.jpgA discriminação com base na orientação sexual é expressamente proibida na Constituição Portuguesa. Mesmo assim, ao arrepio da Lei Fundamental, o exercício de alguns direitos permanece interdito aos homossexuais portugueses.

‘Gays’, lésbicas, bissexuais, pessoas que mudaram de sexo e heterossexuais desfilam hoje Avenida da Liberdade abaixo, reclamando: “Cumpra-se a Constituição: Homofobia Não!”. Trata-se da 6.ª Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, ‘Gays’, Bissexuais e Transgénero), este ano com dois ‘madrinhos’ heterossexuais: os escritores Rui Zink e Inês Pedrosa.

Hoje à tarde, cerca das 17 horas, no Marquês de Pombal, de onde parte a Marcha, será lido o manifesto que sintetiza as reclamações de quem tem orientação sexual minoritária. “Tal como em Espanha, queremos a revisão do Código Civil para que passe a permitir o igual acesso de casais de ‘gays’ ou de lésbicas ao casamento civil” – esta é uma das reivindicações incluídas naquele documento .

Do confronto entre a realidade e o texto constitucional resulta claro para homossexuais e lésbicas que “enquanto o casamento civil não for alargado aos casais de pessoas do mesmo sexo, é o Estado que classifica as nossas relações de indignas e é afinal o Estado que continua a chamar-nos fufas e paneleiros”.

‘Gays’, lésbicas e pessoas que mudaram de sexo assumem no manifesto: “O igual acesso ao casamento civil é a nossa reivindicação clara, a nossa exigência democrática, o nosso grito pela liberdade e igualdade”.

Tal como para a Marcha, para o Arraial Pride – a partir das 20h00, no Parque do Calhau, em Sete Rios/Monsanto – estão convidados todos os heterossexuais que, como Rui Zink e Inês Pedrosa, combatem a discriminação baseada na orientação sexual.

Algumas figuras conhecidas do público vão desfilar na Avenida da Liberdade. Entre elas estará o actor Alexandre Frota que, depois da Marcha, participa, a partir das 9 horas de amanhã, num ‘after-hours’ na discoteca Garage, em Lisboa, como DJ, com música ‘tribal’ e ‘tribal house’.

HOMOSSEXUAIS E HETEROSSEXUAIS CONTAM NA PRIMEIRA PESSOA COMO É A AMIZADE ENTRE ELES

“CONTRA A ADOPÇÃO” (Manuel Serrão, Empresário)

“Tenho tantos amigos hetero como homo e os amigos escolhem-se por serem amigos e não pela sua condição. Nunca senti qualquer constrangimento por me relacionar com ‘gays’, até porque estou no mundo da moda há 17 anos. É uma área em que há uma grande representatividade desta comunidade. Os ‘gays’ devem ter iguais direitos legais nas uniões de facto mas sou completamente contra a adopção de crianças.”

“IGUALDADE DE DIREITOS” (Vale de Almeida, Antropólogo)

“A maioria dos meus amigos são hetero porque passamos a vida a lidar com heteros. Esses amigos são-no na acepção da palavra e não porque está na moda ter amigos ‘gay’, nem eu permitia que me exibissem. Nunca senti que se sentissem constrangidos na minha presença. Há gays que não se assumem porque não há condições sociais para afirmarem a sua sexualidade. Defendo igualdade de direitos no casamento e adopção de crianças.”

“NÃO PAGUEM IMPOSTOS” (Rui Zink, Escritor)

“Tenho amigos ‘gays’ e quando o soube senti surpresa, não choque, mas a minha geração tem de auto-educar-se. Nunca senti constrangimento por ter amigos ‘gays’, só quando alguém pensa que partilho o preconceito. Não tenho relações de amizade por moda, apesar da homossexualidade agora ser mais visível. Se os deveres são iguais, os direitos também devem ser. Não se podem casar nem adoptar? Então deixem de pagar impostos!”

“INTERESSE DA CRIANÇA” (António Serzedelo, Professor)

“A maior parte dos meus amigos são hetero, mas tenho outros que não se assumem, alguns casados. Quando querem estar comigo pedem-me para irmos a um restaurante recatado. Os ‘gays’ não assumidos sentem-se constrangidos por estar em público comigo. Os hetero não, mas é impossível garantir que nunca me exibiram. Mas não sou um bicho de feira. Sou a favor da adopção, sempre no interesse das crianças.”

“VER O ESTILO DE VIDA” (Inês Pedrosa, Escritora)

“Tenho amigos homossexuais, homens e mulheres, e não me passa pela cabeça distingui-los pela orientação sexual. Gostaria de viver numa sociedade em que essa questão não se colocasse. Não se trata de opção mas de orientação sexual. As pessoas não deviam ser culpabilizadas. Não tenho reserva quanto a casamentos e adopção de crianças. O importante é analisar a personalidade e o estilo de vida do adoptante.”

“OS HETERO DÃO FORÇA” (Pedro Russo, Operador de loja)

“Hoje tenho mais amigos hetero, mas antes de me assumir só tinha amigos ‘gay’. Os novos amigos dão força e nunca senti qualquer constrangimento da parte deles ou que se aproximassem de mim por estar na moda ter amigos ‘gay’. Às vezes acontece estar em público e sentir olhares discriminatórios do povo. As mentalidades devem mudar e defendo o casamento entre ‘gays’ e a adopção de crianças – muitas passam fome.”

Publicado no Correio da Manhã.

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