jump to navigation

Orgulho e preconceito June 26, 2005

Posted by igualdadenocasamento in Portugal.
trackback

No dia do Orgulho Gay, mais de meio milhar de homossexuais e lésbicas reclamaram ontem o direito ao casamento e à adopção

Marcha gay desfilou até ao Rossio perante o olhar de quem subia e descia a Avenida da Liberdade. Em causa «Todos os direitos, para todos os amores»

Por Catarina Figueira

É glamour, diversão, sensualidade, sexualidade. Mas a Marcha do Orgulho Gay, que ontem saiu à rua, em Lisboa, pode também ser a timidez estampada no rosto daqueles que assistem pela primeira vez e para quem lutar pela igualdade de direitos não significa necessariamente «exibicionismo» ou «provocação». É o caso de Rui e João, de 23 e 24 anos, namorados há cinco meses. Apesar de concordarem com a maioria das reivindicações das várias associações que organizaram a parada, optam por manter-se do lado de fora do imenso desfile multicolor que liga a Praça do Marquês de Pombal ao Rossio.

Mais ou menos a meio da Avenida da Liberdade, o casal de namorados assiste, sentado, à passagem de gays e lésbicas, munidos de cartazes a favor do direito dos homossexuais ao casamento, à adopção e à igualdade, bandeiras cor de arco-íris com o mesmo significado, ou simplesmente a dançar ao som da música. «É a forma destas pessoas se expressarem e nós compreendemos, mas não é de todo a nossa forma de nos expressarmos. Não sentimos a mínima necessidade de apregoar a nossa sexualidade. Só achamos que não temos de ser discriminados ou olhados de lado na rua pelo simples facto de gostarmos um do outro», contam os dois estudantes a A Capital.

Mas nem só de homens e mulheres homossexuais se fez a história da Marcha do Orgulho Gay de ontem. Ao longo da descida até ao Rossio, a parada foi engrossada por vários heterossexuais, que quiseram demonstrar a sua solidariedade com a causa. Muitos trouxeram inclusive os filhos, às costas ou em carrinhos de bebés. «É o segundo ano consecutivo que participamos nesta iniciativa e trazemos sempre o António. Faz parte da educação que eu e a mãe lhe tentamos transmitir para que, desde cedo, perceba e tome para ele os valores da igualdade, da tolerância e da não-discriminação», declarou António Ramos, 35 anos, arquitecto.

À semelhança de outras cidades europeias, o desfile assinalou o Dia do Orgulho Gay e foi promovido por diversas organizações portuguesas de gays e lésbicas como a ILGA, o Clube, a Opus Gay, a Não te Prives ou a Pantera Rosa. No meio da multidão, uma jovem empunhava um cartaz em que se podia ler: «Estou aqui. Sou heterossexual. A homofobia é uma vergonha». Pelo contrário, Ana Domingues, 72 anos, olhava incrédula para os fatos mais decotados e reveladores de alguns dos manifestantes. «Eu não percebo estas gerações mais novas. Parece que está tudo louco. Onde é que já se viu um homem andar de biquini, no meio da rua, a mostrar as vergonhas todas? Tenho pena dos pais dele, tenho mesmo muita pena», desabafava.

Publicado na A Capital.

Advertisements

Comments»

No comments yet — be the first.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: