jump to navigation

Entrevista a Francisco Louçã July 21, 2005

Posted by igualdadenocasamento in Portugal.
trackback

O BE vai propor uma lei sobre o casamento de homossexuais e lésbicas?
FL: Com certeza. Eu creio que é absolutamente sensato fazê-lo.

Quando?
FL: Veremos na próxima sessão legislativa. Em Setembro haverá jornadas parlamentares e definiremos a nossa posição. A razão porque é de todo sensato admitir-se a extensão do casamento civil para o caso de pessoas do mesmo sexo é porque é assim que está na Constituição portuguesa. As pessoas que querem criar uma relação de casamento devem poder fazê-lo, porque é uma escolha delas. Não é o Estado que deve determinar quem é que pode fazê-lo.

Não teme a reacção dos movimentos católicos? Porque os direitos dos homossexuais, como muitas das causas da esquerda europeia, hoje em dia surgem em países de perfil protestante ou não católico.
FL: Mas a Espanha foi para nós uma lição muito extraordinária não só pela maioria parlamentar mas porque todas as sondagens confirmam que a maioria dos espanhóis favorece esta alteração da legislação e vê-a com toda a naturalidade. O importante é isto: é deixar de se olhar com espanto, mas reconhecer a naturalidade da escolha pessoal de cada um e da forma como as pessoas vivem o amor que têm. Isso é o mais importante.

O BE vai propor a adopção por casais do mesmo sexo?
FL: Temos a mesma posição desde sempre. O que determina a adopção é o direito da criança e a escolha dos melhores pais que lhe podem dar as condições de carinho, de educação e de apoio, nas melhores circunstâncias. Sejam eles casais heterossexuais sejam casais homossexuais. Se garantirem que são bons pais, devem ser candidatos à adopção.

Reapresentarão o projecto com o do casamento?
FL: São coisas relativamente diferentes e devem ser tratadas de uma forma diferente. Quando se tratou das alterações sobre a adopção, nós apresentámo-las e fomos bombardeados por isso e defendemo-nos, com o apoio muito significativo de psicólogos, de pessoas da comunidade científica que tratam de crianças e com o estudo comparado do que se passava nos outros países. Se for discutida uma alteração da lei de adopção, que, aliás, acho que deve ser sempre repensada com a mesma óptica do predomínio do direito da criança, mas evitando a institucionalização longuíssima. É um processo muito demorado e a Segurança Social tem pouca maleabilidade, e talvez até pouca margem de decisão. Podemos melhorar muito esse sistema.

Publicado no Público.

Advertisements

Comments»

No comments yet — be the first.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: