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“Sou a favor dos casamentos entre homossexuais” March 23, 2006

Posted by igualdadenocasamento in Entrevistas, Portugal.
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Daniel Fagueiro, 26 anos, é líder da JSD desde 20 de Março 2005. Está a terminar o curso de Gestão na Universidade Católica. Depois de ter passado pela Assembleia da República, ocupa agora o lugar de vereador na Câmara Municipal de Matosinhos.


Que pensa do uso de embriões excedentários das técnicas de reprodução assistida para investigação científica?


Devem ser efectuadas todas as análises no sentido de se poderem realizar essas possibilidades no futuro. Penso que para o futuro de Portugal e para o futuro da nossa saúde todas as técnicas que possam trazer uma mais-valia devem ser utilizadas. Não tenho nada contra o uso de embriões.


Concorda com o uso de gâmetas doados?


Não estou com uma opinião formada sobre essa matéria.


Deve ser deixado ao critério dos especialistas o número de ovócitos a fertilizar?


É uma questão mais técnica. Sobre essa matéria tenho toda a abertura possível. A JSD tem um gabinete de estudos de saúde que tem estado a trabalhar nessa matéria.
Concorda com o recurso a mães de aluguer? Se sim, quem deve ser considerada a mãe legal?


Sinceramente, não tenho rigorosamente nada contra. Uma pessoa que possa ter filhos acaba por não ter noção do efeito que estas mães podem ter para as pessoas que precisam. É um problema específico mas cada vez mais em discussão. A questão da mãe legal deixo para os médicos.
Concorda com o acesso ao casamento civil por casais homossexuais?


Concordo. Agora entendo, e essa tem sido uma prioridade da JSD, que há outras questões que são fracturantes e mais prioritárias. Temos defendido posições em relação à questão do aborto e à questão da educação sexual que consideramos essenciais e que resolveriam problemas fulcrais. Para pararmos com a demagogia, devia incluir-se uma disciplina de saúde e cidadania, desde o ensino básico até ao fim do secundário, em que se prepare os jovens para uma vida futura mais saudável e sem os problemas, que são um flagelo para a sociedade, da gravidez na adolescência e das doenças sexualmente transmissíveis.

A adopção se deve estender a casais homossexuais?


Em relação à adopção, tenho bastantes dúvidas. Acho que neste momento as condições não estão a favor para a adopção por casais homossexuais. É daquelas questões que acabam por dirigir apenas àqueles que vão casar. Envolve uma data de questões complicadas e tenho muita dificuldade em dizer que sim, mas não tenho um “não” fixo para responder.

Qual é a sua posição sobre a despenalização do aborto? Deve ser a Assembleia a alterar a lei ou só deve ser alterada depois do referendo?

Sou favorável à despenalização do aborto. Acho que é essencial, independentemente de o aborto ser despenalizado, que se descriminalize primeiro. É uma demagogia e incoerência estarem-se a julgar mulheres, quando essa é uma questão que está a ser discutida se será viável ou não. Sobre isto temos uma posição diferente da do partido. Num referendo apelaria ao sim. Nesta questão, o partido não tem uma posição política, é uma questão individual e de consciência.

É a favor da utilização terapêutica de cannabis?

Sou. Não há problema se só for passado mediante prescrição médica e direccionado a alguns problemas específicos.

Quais são para si os limites à liberdade de expressão?

Deve haver um limite sem limite. Hoje as pessoas têm toda a liberdade para se expressar. No caso dos cartoons, penso que é mais uma questão de culturas do que de liberdade de expressão. E acabou por ser uma forma desses povos chamarem um bocadinho à atenção. A liberdade de expressão deve existir tal como está, qualquer pessoa diz o que quer, mas se for algo insultuoso a punição já está prevista nos códigos de Direito.

Portugal devia construir uma central de energia nuclear como forma de combater a crise energética?

A possível construção de uma central nuclear em Portugal, economicamente, traria ganhos para o país. Se estiverem satisfeitas todas as normas ambientais que garantam uma segurança para o país, não vejo por que não. No entanto, a educação ambiental tem sido uma falha. Agora entendo, e vejo com alguma dificuldade, que essas normas ambientais consigam ser satisfeitas. Eu resido no concelho de Matosinhos, que tem a refinaria da Galp Energia, e este é um problema que se coloca há muitos anos.
Qual é o enquadramento legal que defende para a prostituição?


Essa tem sido uma discussão de longa data da JSD. Acho que é preciso entender se a legalização será mesmo uma solução. E verificar se o país tem interesse em que a prostituição seja legalizada. Acho que ainda não estão dadas as garantias de que a legalização realmente resolve o problema da questão da higiene e do tráfico. A prostituição também envolve a questão das drogas, do aborto. A legalização de tudo isso implicaria a perda do negócio, que seria importante, mas não sei se resolveria o problema. Ainda na semana passada estive num encontro de jovens estudantes em Madrid e estivemos a falar sobre o assunto e verificámos que nos países onde tinha sido legalizada os problemas mantinham-se os mesmos. Pode ser um discurso fácil dizer-se que se é a favor; agora temos de mostrar se resolve mesmo o problema. Hoje em dia não estão reunidas as condições para a liberalização da prostituição.

Público

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1. Nuclear: o debate público :: “Sou a favor dos casamentos entre homossexuais” - June 17, 2006

[…] in: Igualdade no Casamento Credito: igualdadenocasamento, 2006-03-23 03:42:15 […]


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