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PORTOGALLO: GAY CHIEDONO LEGALIZZAZIONE MATRIMONI July 6, 2005

Posted by igualdadenocasamento in Imprensa Estrangeira, Marcha LGBT, Portugal.
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Vogliono sposarsi e formare una famiglia come fanno le coppie eterosessuali. Gli omosessuali portoghesi, dopo le aperture del governo Zapatero in Spagna, hanno rivendicato la legalizzazione del matrimonio tra coppie dello stesso sesso, alla vigilia del Gay pride che li vedra’ sfilare lungo le strade di Lisbona. “Vogliamo una revisione del codice civile che permetta alle coppie gay e lesbiche di contrarre matrimonio civile, come succede in Spagna”, si legge in una dichiarazione firmata da numerose associazioni omosessuali lusitane. Il Portogallo e’ l’unico paese europeo la cui costituzione “proibisce esplicitamente la discriminazione basata sull’orientamento sessuale”, per questo motivo – secondo gli organizzatori della sfilata – “legalizzare il matrimonio gay significherebbe rispettare la costituzione e proteggere gli omosessuali dall’omofobia”.

La Repubblica (Itália)

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A melhor estratégia July 2, 2005

Posted by igualdadenocasamento in Artigos de Opinião, Marcha LGBT, Portugal.
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Crónica Feminina

Por Inês Pedrosa

«(…) Who goes to bed with what/
Is unimportant. Feelings are important./
Mostly I think of feelings, they fill up my life/
Like the wind, like tumbling clouds/
In a sky full of clouds, clouds upon clouds.»
( John Ashbery)

A melhor estratégia é não ter estratégia. Quando a estratégia é postiça em relação à mensagem que se pretende transmitir, acaba por estalar, como verniz velho – e, o que é pior, acaba por corromper a própria mensagem, porque o público-alvo acaba por se sentir enganado. Isto é válido para públicos compostos por um ser humano como para multidões: para dar um exemplo corriqueiro, se o Joãozinho se apaixona por nós porque soubemos fazer de conta que éramos umas vampes indiferentes como a Mariazinha por quem ele se embeiçou antes, vai fartar-se de nós no dia em que descobrir que somos umas fogosas apaixonadas. Se formos um bocadinho inteligentes, acabaremos por descortinar que o Joãozinho é apenas uma fruste perda de tempo: afinal, quem quer amar alguém que não sabe amar perdidamente? Estratégias leva-as o vento, e o que fica, de uma maneira ou de outra, é o resíduo da nossa verdade. Ninguém aguenta sentir-se enganado; qualquer verdade ingrata é pior do que uma mentira grata, e a mentira, neste país em forma de mesa de repasto, tem a pernita curta.

Quando me convidaram para apadrinhar a Marcha Gay e Lésbicadeste ano, logo uma sequência de vozes familiares e amigas se erguerampara me dizer uma destas três coisas, ou todas elas: a) que uma marcha éuma má estratégia de defesa de direitos porque expõe muito as pessoas; b) que aparecer ao lado «deles» (suponho que queriam dizer «essa gente diferente e de maus costumes») prejudicaria a minha «imagem»; c) que ao Rui Zink não faria mal, porque é homem, mas que, sendo eu mulher, tinha que pensar na minha «reputação».

No fundo, não é de espantar: a Marcha ocorreu no fim da mesma semana em que múltiplas e supostamente democráticas vozes vieram dizer que o direito à greve fenece quando a dita greve prejudica «os mais fracos» – no caso, os estudantes. Estabeleceu-se mesmo uma nova noção de «serviços mínimos» que abrange os exames. Pergunto: se os estudantes fizerem exames uma semana mais tarde, já esqueceram a matéria toda? Alguma greve alguma vez prejudicou apenas «os mais fortes»? Para que serve uma greve que não prejudica ninguém? Claro: se o governo que assim se move contra o direito à greve fosse assumidamente de direita, já estaria o povo todo, comentadores incluídos, a bradar que o fascismo estava de regresso. Como se trata de um governo do Partido Socialista, arranjam-se milhares de justificações. O meu irmão costuma dizer que «só justifica quem perde». Considera-se que uma Marcha é uma alegria popular se for para dançar o vira ou para clamar por abstracções, como a «Paz». Mas se for para lutar por direitos – como esse, tão concreto, tão constitucional, do casamento civil entre pessoas que se amam, independentemente do sexo – já é uma pouca-vergonha. Incomoda, porque aparecem sempre uns travestis emplumados. As heterossexuais nuas que surgem nos desfiles de carnaval são consideradas espectáculo de família. Porque é que um transexual incomoda tanta gente? A mim, o que me incomoda é que Portugal seja ainda tão pouco exibido, tão cheio de entrementes, bichanices covardes, esquemas ocultos… enfim, estratégias. E lá fui marchar.

Pude assim verificar in loco que as plumas e pailletes que tanto perturbam o sossego familiar das famílias ditas tradicionais se resumiam, numa marcha de quinhentos seres humanos, a meia dúzia de pessoas. Aproveitam o pretexto para ter os seus cinco minutos de glória e promover os seus shows. Tomar os travestis como paradigma homossexual é tão disparatado como considerar o Avelino Ferreira Torres da Quinta das Celebridades como modelo dos autarcas portugueses. Parecem sempre muitas, estas figuras folclóricas, nas televisões, porque é sobre elas que as câmaras caem – e evidentemente que entrevistar travestis sobre o casamento ou a adopção por homossexuais só serve para assustar a população e criar mais homofobia. Pude também verificar que, se há ainda pouca gente para marchar por estes temas de direitos humanos, há muita gente disposta a engrossar a marcha dos voyeurs, seguindo o cortejo, no recato do passeio, de câmara em punho, avenida abaixo. Com tristeza verifiquei ainda a total ausência das figuras gradas da política. Não estranhei a ausência do Presidente da Câmara até porque, como Rui Zink explicou à SIC, ninguém sabe quem é actualmente o Presidente da Câmara de Lisboa. Mas onde se meteram, nesta tarde de luta pela não discriminação, todos os estrénuos democratas do país?

Outras vozes, um pouco mais elásticas, aconselharam-me a que discursasse sempre e só a favor do casamento e nunca a favor da adopção – porque esse é terreno estrategicamente minado: «Que se casem, está bem, mas que adoptem crianças já não me parece bem porque as crianças ficam marcadas…». Este discurso é igual, no tom e no conteúdo, àquele outro que reza assim: «Eu não sou racista, mas não gostava que a minha filha se casasse com um negro, porque os filhos deles iriam ser discriminados…». Quantas crianças vivem só com a mãe? E aquelas – as da Casa Pia, por exemplo – que nunca conheceram pai nem mãe? E as Vanessas e Joanas que são brutalizadas e mortas pelos pais? Normalmente, os homossexuais e lésbicas têm irmãos heterossexuais – o que prova que a orientação sexual não depende da educação. Se a adopção por casais do mesmo sexo estivesse instituída, as crianças não se sentiriam discriminadas por terem uma família «diferente». Claro que não se pode entregar uma criança de ânimo leve – mas são os valores e o estilo de vida dos adoptantes o que interessa, não a sua orientação sexual. Pensem. Se todos fizéssemos um esforço por pensar clara e livremente, libertando-nos do peso fatídico das ideias feitas, Portugal seria um outro país – muito mais justo, e tão belo como a Avenida da Liberdade, cheia de gente unida pelo direito ao Amor, numa tarde de sol e vento.

Única

Gays, ‘Visíveis de Facto’ July 2, 2000

Posted by igualdadenocasamento in Marcha LGBT, Portugal.
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500 pessoas e poucas máscaras na primeira marcha homossexual portuguesa

Por Elizabete Vilar

No mesmo dia em que Portugal assistia à primeira marcha do movimento homossexual, que fez desfilar 500 pessoas pelas ruas de Lisboa, reivindicando “direitos iguais”, o Estado norte-americano de Vermont realizava os primeiros casamentos “gay” da história do país.

Uns abanavam a cabeça em sinal de desaprovação, ou de pena. Outros sorriam, acenavam e batiam palmas. O certo é que ninguém resistiu a assomar à janela ou à porta dos cafés, lojas e casas que ficavam no caminho ontem percorrido pelos cerca de 500 participantes da Primeira Marcha do Orgulho Gay, Lésbico, Bi e Transexual realizada no país e que levou os manifestantes do Príncipe Real à Praça do Município, em Lisboa.

E não era para menos: a marcha caracterizou-se pela boa disposição e por um colorido irrestistível para a curiosidade de quem passava.

Uma gigantesca bandeira com as cores do arco-íris – símbolo do movimento homossexual -, a toda a largura da estrada e com vários metros de comprimento impunha-se no meio dos manifestantes, que empunhavam cartazes reivindicativos: “Sou homossexual e voto”, “Casais homo, casais hetero: a diferença está na lei”, “O amor nunca é errado”. No jardim do Príncipe Real, duas idosas que viram o sossego do seu passeio de sábado à tarde quebrado pelos gritos entusiasmados dos participantes da manifestação defendiam que “cada um vive a vida à sua maneira”. “Eles não prejudicam ninguém com isso”, sustentou uma delas, ao que a outra acrescentou: “Aliás, eles não têm culpa daquilo”.

José Manuel Fernandes, Sérgio Vitorino e António Serzedelo, líderes de três dos principais movimentos homossexuais portugueses, mostraram-se satisfeitos com o nível de participação. Todos admitiam que aparecessem menos pessoas, mesmo tendo em conta que nem todos os participantes eram “gays”, e até esperavam que houvesse mais gente a usar máscaras – um recurso utilizado por alguns manifestantes que pretendiam “proteger os familiares e amigos da discriminação” e que justificavam a atitude com cartazes: “Não tenho medo. Tenho bons motivos [para me esconder]”.

Uniões de facto na ribalta

Outros, a maioria, entregaram-se sem reservas ao “outing” e pareciam electrizados de entusiasmo, sorrindo e mostrando às televisões as suas frases: “Sou gay, normal e feliz”, “Agora, todos sabem que eu sou”, “Sim, somos muit@s”, “Somos visíveis de facto”. “Nunca vi tantos ‘gays’ portugueses a darem a cara”, assegurava Sérgio Vitorino, do Grupo de Trabalho Homossexual do PSR.

Francisco Louçã, deputado daquele partido, também se associou à marcha. Para ele, estes são os pioneiros de uma iniciativa que irá crescer com toda a certeza. “No Canadá, onde milhões de pessoas participam na Marcha ‘Gay’, também se começou com poucas centenas”. Por isso, acredita, “daqui a uns anos, a mulher do Presidente da República ou do presidente da Câmara vão querer estar na primeira fila”. Louçã afirmou ainda que este tipo de manifestação “é um caminho que se faz em direcção a uma cultura de respeito e de tolerância”.

O antropólogo Miguel Vale de Almeida, que também marchou até à Praça do Município – local onde se realizou, à noite, o habitual Arraial Pride -, congratulou-se com a iniciativa, que constitui “uma forma mais política de o movimento se afirmar”, que “complementa a festa”, por ser “mais reivindicativa”. Igualmente contente com o número de participantes, Vale de Almeida reconheceu que este pendor mais sério da marcha, em relação ao arraial, poderá suscitar mais reacções. É que enquanto a festa é muito associada “à mascarada e à palhaçada”, uma marcha tem outro impacto e pode trazer à tona muita “hipocrisia social”.

José Manuel Fernandes, presidente da ILGA, levantou novamente a questão do reconhecimento legal das uniões de facto homossexuais, cujo agendamento na Assembleia da República “já foi adiado três ou quatro vezes”. E lembrou também que o censo a realizar em 2001 não irá contabilizar os casais “gay” porque o Instituto Nacional de Estatística considera o seu número irrelevante.

“Temos os mesmos deveres, devíamos ter os mesmos direitos”, concluiu.

E Lisboa ouviu-os gritar isso mesmo pelas ruas: “Homossexuais, direitos iguais, gueto nunca mais”. E também: “Eu amo quem quiser, seja homem ou mulher”.

Público